#TBT Há exatamente um ano, 30 dias…

(Inclui: dicas de como aproveitar bem sua viagem ao exterior)

Plaza de Toros de Las Ventas. Onde eu pegava metrô todos os dias
Plaza de Toros de Las Ventas. Onde eu pegava metrô todos os dias

Há exatamente um ano eu estava embarcando para Madri. Fui passar meu mês de férias sozinha na Espanha. Uma decisão muito feliz. Uma experiencia que me fez crescer e consolidar meu aprendizado na língua castelhana. Uma experiencia totalmente diferente da de quando fui em 2011 à capital espanhola para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

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Parque de El Retiro

Se você, como eu, é alguém que trabalha e vai a algum outro país com interesse de conhecer a cultura e aprender ou melhorar seus conhecimentos em outra língua nas suas férias de 30 dias, vou elencar aqui três conselhos que acho que são válidos para que uma experiência com pouco tempo seja mais ‘enriquecedora”:

  1. Desligue-se do Brasil.

    Não adianta ir para outro país e passar horas no skype, no whatsapp, no facebook com seus amigos e parentes conversando em português. Mande algumas mensagens, diga que está bem, atualize um pouco as redes sociais, algumas palavrinhas uma vez por semana com a mãe, e está ótimo! Ler notícias do Brasil? Tente achá-las nos periódicos do lugar, na língua do lugar ou dar só uma “fuçada” no twitter e na TL no facebook, e ponto. Seu tempo deve ser gasto com pessoas do lugar, é a sua oportunidade enquanto está ali. Até meu celular eu configurei em espanhol.

    Acho que o positivo de ter ido sozinha também foi isto. Eu só conversava com pessoas do país, ou mesmo que com outros estrangeiros, fosse no curso de línguas ou na rua, a lingua de comunicação era o castelhano. Inclusive no curso fiz uma amiga italiana, mas me policiei para não querer inventar de “treinar” o italiano com ela, nós só conversávamos em espanhol, queríamos ambas crescer e melhorar naquele idioma.. então? Nos ajudávamos neste sentido.

E mesmo independente do interesse no aprendizado do idioma, neste mundo ‘hiperconectado’ a gente precisa aprender a se desligar e viver a experiência. É estar ali de corpo, alma e coração. Eu queria estar ali, eu deveria me sentir parte daquele lugar, observar as pessoas, o cotidiano, visitar o museu, ver a palestra, andar na rua, olhar as pessoas dentro do metrô, observar os pais brincando com os filhos na praça… a gente tem que querer se sentir parte daquele mundo. Isto vale para qualquer viagem, para qualquer experiência cultural: VIVER a experiência. É isto.

2.Já leve uma boa bagagem cultural sobre o lugar e/ou a língua

Quem pode passar seis meses ou um ano, até pode ir “zerado”, mas quem só tem um mês, para que seja bem proveitoso, tem que já ir sabendo alguma coisa. No caso da língua, eu já estava na metade do nível B2 no curso do Instituto Cervantes, já tinha viajado para Argentina, me comunicado com a língua, então, em um mês, no qual eu passei 3 semanas fazendo curso com 4 a 5 horas de aula por dia, eu avancei muitíssimo. Isto vale para o inglês, francês, italiano.. qualquer língua.. estude bem no seu país, chegue a pelo menos um nível intermediário no idioma escolhido, que com certeza, as poucas semanas renderão muito mais de aprendizado.

Viagem só de turismo é a mesma coisa. Olhe no google, veja os museus, as paisagens, leia relatos de outros viajantes… você passa a desejar conhecer aquele lugar, entender sua história, seu contexto.. a emoção de conhecer algo desejado é muito mais satisfatória e o proveito cultural, pessoal nem se fala…. tudo é mais interessante… senti que perdi um pouco em alguns lugares e passeios neste sentido (não só por esta viagem, mas em outras também) e em outros senti exatamente a emoção por ser algo que eu já trazia alguma bagagem cultural, aquilo de ver ‘de verdade” algo que só conhecia por livros e internet é muuuuito bom.

  1. Esteja aberto

Se você não é comunicativo de natureza, esforce-se um pouquinho. Eu aprendi a perder a timidez, perguntar as coisas. No restaurante sempre perguntava o que era aquele prato do dia do cardápio (porque se tem uma coisa que nos denuncia como estrangeiro, esta coisa é a comida.. cada lugar nomeia seus pratos e alimentos de um jeito peculiar..), e claro, perguntavam de onde eu era, depois explicavam.. me perguntavam outros assuntos… certo ou errado, pergunte, fale, comente… sorria..

No geral, achei muito tranquilo comprar creme, comida, pão, conversar com velhinha na praça ou depois da missa… comigo o engraçado é que todo mundo se surpreendia quando eu dizia que era brasileira (???).

Alguns dos salesianos especiais que conheci (Jota Lorente, Jesus Rojano, Miguel Angel e Koldo Gutierrez)
Alguns dos salesianos especiais que conheci (Jota Llorente, Jesus Rojano, Javier Valiente, Miguel Ángel e Koldo Gutiérrez)

Os salesianos também foram minha família lá. E isto é algo muito legal e uma segurança que tenho, talvez uma das coisas que me faça não ter medo de viajar sozinha: onde tem salesianos, eu sei que tenho amigos, mesmo que ainda não os conheça. E assim foi na Espanha. Conheci e me aproximei de toda comunidade salesiana próxima do meu alojamento, mas em especial, do padre Jesus Rojano, com quem eu tinha dialogado via e-mail e Facebook antes da viagem, e que se tornou meu grande amigo. Era o telefone dele que eu tinha arquivado no meu celular e anotado na minha carteira, junto a carteirinha do seguro, caso acontecesse algo comigo. E  a quem eu pedi quando o conheci “presencialmente” que tudo ele pudesse me levar (reuniões, encontros, ..), que para mim era importante, útil. E ele, que riu e estranhou o pedido (achei que ele nem levaria a sério.. mas levou), de fato cumpriu meu pedido. Ele me adotou neste sentido. Assim, eu pude ver o povo discutindo, a diferença de linguagem de uma reunião formal da equipe editorial de uma revista para outra de grupo de jovens. Pude conversar e conhecer gente. Agendei e fui sozinha a outros lugares a partir destes contatos ( como conhecer uma linda obra social salesiana chamada ‘Pan Bendito’)..

Enfim, meu caminho paralelo ao do curso, de me sentir uma “madrileña” por um mês foi através dos salesianos. Mas qualquer um pode buscar antes alguns contatos, procurar se inscrever em alguma oficina de arte, de culinária, ir numa igreja e buscar horário de alguma reunião de jovens… o importante é estar aberto a vivenciar qualquer coisa diferente, aprender com as pessoas do lugar.

Acredito que minha fluência oral e da escuta se desenvolveu mais por estes momentos.

Um fato interessante foi num dia que fui ao cinema sozinha (se faço isto aqui no Brasil, por que não lá?),. Foi legal pegar mapinha, achar a rua, descer do metrô e encontrar onde danado era aquele cinema.. e eis que na sessão só tinham 2 pessoas!! Era a primeira sessão (umas 15h), num dia de semana..enfim.. quando terminou o filme (“Hermosa Juventud” – muito bom e traz muitas reflexões osbre esta nova geração, seus dilemas, a situação europeia.. enfim). A outra pessoa, uma mulher de uns 45 anos no máximo, olhou p mim, ambas meio angustiadas com o final.. e disse: “o que você achou do filme?” fiz comentário, disse que era brasileira e a razão do meu interesse de ver aquele filme em especial..e fomos tomar um café.. ela conversou um pouco, disse que era da Galicia, professora, concluindo: foi muito legal. Depois nos despedimos e cada uma tomou seu rumo…

Também na hospedagem conversava muito como irmão Joaquín (de La Salle), ele já idoso, muito culto e educado, aprendi muito…

É isto: estar aberto não se resume só a possibilidade de relacionamentos amorosos. Não. Estar aberto é para vida. Uma postura. Uma decisão que nos ajuda a crescer.

Viajar para aprender língua e cultura e ficar “fechado” é uma perda de tempo, de dinheiro, de vida…

Em Toledo
Em Toledo

Além de alguns lugares mais próximos à Madri, também fui a Barcelona. Lá, reencontrei uma amiga muito especial que tinha trabalhado no Instituto Cervantes de Recife, Viviane, que passeou um dia inteiro comigo e também outro amigo catalão que conheci em Salvador (em 2013!) que também me acolheu, explicou a historia de Barcelona, da Catalunha (viu como é bom a história do estarmos sempre abertos? ).

E assim fiquei cercada de gente do bem um mês inteiro.. vivendo outra rotina, outro estilo de vida, com outras pessoas.. algo que eu estava precisando (acho que todos nós precisamos criar em nossas vidas estes momentos… ) e ainda consolidei meu aprendizado na língua castelhana…

Tem gente que vence desilusões com outros amores… Desde 2013 o novo amor que entrou na minha vida foi o castelhano… e eu estou muito satisfeita..

Voltando para casa. Dia 30/06/2014. Aeroporto Barajas
Voltando para casa. Dia 30/06/2014. Aeroporto Barajas
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