I seminário para produtores de conteúdo de mídias católicas

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O seminário contou com a participação de 80 comunicadores vindos de diversas localidades do país.

Nos dias 02 e 03 de maio foi realizado em São Paulo, na Central Paulinas, o  o I Seminário para produtores de conteúdo para Mídias Católicas, com participação de 80 comunicadores, representantes de diversas mídias católicas do país. O evento foi promovido pela SIGNIS Brasil (Associação Católica de Comunicação), em Parceria com a Rede Católica de Rádios e as Paulinas, e teve como tema geral: “Dinamismo da evangelização numa sociedade em mudança”.

A Presidente de Signis Brasil, Ir. Helena Corazza, realizou a abertura do I Seminário. Os membros da diretoria de Signis Brasil também estavam presentes: Pe. César Moreira, vice-presidente e Antônio Celso Pinelli, secretário; Frei João Carlos Romanini presidente da RCR e Ângela Morais, vice-presidente, além da diretora do SEPAC, Irª Maria Celeste.

O encontro ,de caráter formativo, trouxe reflexões muito interessantes e atendeu a necessidade que nós comunicadores temos de perceber os contextos e paradigmas da sociedade e da igreja e assim ganhar elementos para analisar nossas produções e  nossa vivência profissional e cristã.

Particularmente considero isto o mais importante para nossa formação humana e comunicadora/comunicativa.  Para dominar ferramentas, plataformas, podemos aprender com a prática, com cursos diversos, isto pode nos trazer qualidade técnica, mas temos necessidade de outra qualificação que diferencia nosso trabalho como cristãos e como humanos.. de que adianta só saber produzir o melhor som sem ruídos ou fazer a melhor iluminação para filmagem ou impostar a voz da maneira correta?

E, no específico cristão, católico, teológico, é que de fato temos uma lacuna, porque as faculdades de comunicação não pautam normalmente discussões neste sentido.

E aqui houve um grande acerto do encontro em relação à escolha de seus palestrantes.

“Não são só os conteúdos por si mesmos que mudam nossa maneira de compreender e de estarmos no mundo”

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A Prof. Dra. Brenda Carranza falou sobre mudanças culturais e religiosas

O primeiro painel, na manhã do dia 02 de maio contou com o tema “Mudanças culturais e religiosas” foi realizado pela Profa. Drª Brenda Carranza, socióloga, docente na PUC/Campinas. A mesa foi coordenada pelo Frei João Carlos Romanini, presidente da RCR. O tema do painel foi Mudanças culturais e religiosas.

Brenda atentou-se em trazer-nos muitos questionamentos e partiu do princípio de que os meios são ‘pautadores’ de realidade, que trazem o mundo a partir de um ponto de vista, e este ponto de vista “constrói” mundo. Também pontuou que é parte da estrutura midiática criar imaginários e do nossos grandes desafios, como mídias católicas, que tem em seu conteúdo básico “eternidade”, “graça”, “permanência”, diante das mudanças culturais, onde o “sempre” e a “norma” estão sendo questionados pela dissipação, pela rapidez no consumo, pelo descartável.

Nos primeiros momentos de sua fala, relacionado a construção social da realidade a partir das mídias, foi exibido o vídeo “Dove Evolution”(http://www.youtube.com/watch?v=iYhCn0jf46U ) e foram feitos os questionamentos provocadores  “O que é verdade? O que é realidade?”

Assim fomos levados a perceber a natureza das mudanças sócio culturais. As novas relações de tempo x espaço ( e as novas forma de relacionarmos) , percepção da transformação da visão de mundo a partir da cultura midiática e também outras formas da vivencia do sagrado e da experiência do religioso.  Percebi também uma concordância com o Marshall McLuhan, já que partimos do pressuposto de que o meio tranforma o conteúdo e que o individuo ao estar integrado por um aparelho, ele tambem configura sua forma de se relacionar com o outro.

Para mim algumas palavras,  e o que elas significam/ expressam obviamente, foram bem interessantes para serem incorporadas no meu vocabulário: pluralismos, conflito normativo e instituições intermediárias.

Professora Brenda também citou Richard Sennet , quando utilizou o termo “caráter da pessoa”, que é algo mais ou menos estável, imutável, no sentido do “o que é que faz uma pessoa ser pessoa?” e coloca:

“Você pode ter os grandes meios de comunicação, as plataformas mais atualizadas para você discutir o mundo.. e as perguntas vão continuar sendo as mesmas: “como eu sou feliz?” como eu posso ser feliz? Quem determina que eu posso ser feliz? Quais as condições para eu responder quem sou, aonde vou.. e depois de aqui, para onde? São perguntas escatológicas..todos os ‘lógicas’..”

Então a discussão não é mais moral, se os meios, as plataformas, são bons ou ruins. A questão está nos processos.

Um outro ponto que anotei como fundamental colocado por a prof. Brenda diz respeito ao deslocamento do ético para o estético. Diante deste conflito normativo que afeta diretamente as entidades religiosas, ela fez uma pergunta desafiadora: “Como trabalhar os compromissos de mudanças sociais e estruturais com os apelos à forma, ao prazer, ao conteúdo estético? E o que é que mais congrega?”

Em vários momentos, ficou perceptível nosso grande desafio como comunidadores ( mesmo que trabalhando em ‘midias alternativas”, como  as mídias católicas ) por estarmos nestas ‘instituições intermediárias’ neste momento onde os discursos institucionais e os discursos culturais são confrontados, exigindo de nós novas sensibilidades , descoberta de caminhos, trabalho com a evolução.  Afinal, somos com os nossos veículos, nossas plataformas, produtores, pautadores e  interpretes da realidade. E primeiramente “perceber de onde vem as tempestades”, como disse a professora.

Já falando do universo do “sagrado”, existem hoje diversas maneiras de se ligar à transcendência,  que não são os rituais  canonicamente aceitos (até agora).. e também outras ‘agencias’ de sentido para além das religiões: a cultura de consumo, uma causa ecológica, o pluralismo está mais ‘naturalizado’. E neste ‘mercado de sentidos’, a religião para a ser uma questão de escolha pessoal, e não mais um produto que se passa po geração. Além disso, é possível “ter religião” sem ter uma instituição e mais: ser sem religião, mas com muita religiosidade. E estas mudanças na dinâmica religiosa trazem outros grandes desafios, como por exemplo, quem atesta que elas são válidas, quem pode afirmar ou negar que são reais e veradeiras?

Façamos uma comunicação reflexiva e de diálogo

Já no momento das perguntas, do plenário, Brenda Carranza trouxe outro elemento num sentido de conselho, de ‘pista’, para nós: que não façamos Mídia reativa, e sim reflexiva.  A Reativa é instantanea, momentanea, focada em resultados pontuais e homogeneizada com outros elementos (se passa da última noticia para o comercial que não tem nada relacionado. Quando se faz mídia reativa se esquece se esquece o peso do passado histórica na criação deste conteúdo e se elimina a possibilidade de pensar quais são as consequencias deste conteúdo. E insistindo novamente que a mídia interpreta realidade, e se esta midia é pautada pela reação e não reflexão?

Modelos de igreja para nos ajudar a entender e pensar

Prof. Dr. Frei Carlos Susin explanpu sobre Modelos de Igreja e desafios à evangelização
Prof. Dr. Frei Carlos Susin explan0u sobre Modelos de Igreja e desafios à evangelização

O segundo painel trouxe o tema: “Modelos de Igreja e desafios à evangelização”, com o teólogo e professor da PUC/RS,  Prof. Dr. Frei. Luis Carlos Susin, Ofcap. A mesa foi coordenada pelo Fernando Geronazzo, jornalista da  Revista Família Cristã.

Admito que fiz poucas anotações e não gravei nada, confiada no envio dos slides pela organização do evento (espero mesmo recebê-los), mas, diferentemente talvez das reflexões feitas pelo painel anterior, com as quais eu já tinha de alguma forma entrado em contato,  o conteúdo trazido pelo Susin  foi muito novo para mim e de suma importância para melhorar nossa maneira de analisar determinados fenomenos e compreender “entrelinhas”,visto que não tenho base acadêmica teológica.

Ele primeiro partiu do pessuposto do que acarreta trabalhar com modelos, que seriam ‘facilitadores de avaliação’, os quais são como  ‘grades’ com as quais você vai avaliar. Em relação aos modelos de igreja ( e aí num sentido um pouco mais amplo que o católico), citou autores como: Joaquim de Fiore, Schelling, Hans Kung. E que de certa forma, estes ‘padrões históricos vão, de alguma forma, incorporar nosso incosciente arcaico”. O Concílio  Vaticano II, no tocante ao modelo de igreja masi ‘ecumênico’, e em outro s momentos, foi muito citado.E de que pecisamos recuperar o ‘e spírito do concílio” para além dos textos e documentos. E que como este provocou a necessidade de uma ‘ruptura episteológica”, fazendo inclusive um paralelo com apssage bíblica: para conhecimentos novos – novos vocabulários, nova antropologia, novos conceitos (odres novos).

Em relação a Igreja no Brasil, sua fala se baseou a partir de 3 modelos: 1. Ontológico, 2. Hermeneutico e 3. Carismático/experencial.  (deixando claro que não existem modelos ‘puros’).

Ainda neste primeiro dia, no período da noite, vários veículos de comunicação católica foram homenageados (veja matéria da Signis/RCR:).

SEGUNDO DIA: “A comunicação como espaço de evangelização” e trabalho em grupos

Socialização no plenário do trabalho dos grupos, afinal tinhamso que pensar no que que o seminário nos despertou para projetos conjuntos
Momento final de socialização no plenário dos trabalhos dos grupos, afinal tinhamos que pensar no que que o seminário nos despertou para projetos conjuntos.

Com o tema sobre a “A comunicação como espaço de evangelização”, o terceiro e último painel foi apresentado pela Irmã Joana Puntel, fsp, doutora em Comunicação e muito conhecida nossa.

No período da tarde finalmente tivemos a oportunidade de trabalhar em grupos, nos quais nos inscrevemos previamente ( Rádios, TVs, Redes Sociais, Portais e Sites…) o que eu particularmente acho que deveria ter acontecido desde o primeiro dia (facilitaria um pouco mais nossa interação, intercâmbio e teríamos mais tempo). Participei do de Rede Socias e gostei muito…..

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