VIVER EM TEMPOS DE REDE

tumblr_lxozupuQNT1qcohzeo1_500Não é de hoje que percebemos  a impossibilidade de se referir à comunicação apenas na perspectiva  dos meios de comunicação ou com a dicotomia “Emissor-receptor”. O campo da  comunicação constitui-se num verdadeiro  ambiente, que acolhe uma multiplicidade  de contextos, universos simbólicos, discursos, interesses.

E dentro deste novo contexto integra-se a internet, que não pode mais ser vista como simples meio de comunicação.  Ela se transformou num lugar de experiência, um  mbiente cultural, parte integrante de nosso cotidiano, onde lemos notícias, partilhamos informações e opiniões,  conversamos com amigos, fazemos compras, dentre outras possibilidades.

As redes sociais fazem parte dessa  mudança de paradigma, onde mais do que acessar a internet, também vivemos nela,  tornamo-nos produtores de conteúdos. Agimos e interagimos, não só a partir de  um computador, mas de diversos dispositivos móveis como smartphones e tablets que utilizamos em nossas atividades. não existe mais um mundo virtual à parte, ele agora é integrante e extensão da nossa vida real. E isto começa a refletir em nossa capacidade de viver e pensar.

Neste mundo integrado e misturado das duas realidades “on” e “off”, a necessidade  eligiosa e espiritual continua existindo porque é parte da necessidade humana, mas surgem novas respostas. Podemos constatar, por exemplo, o desenvolvimento de diversos aplicativos – apps – que ajudam a rezar com mensagens diárias de meditação, rádios-web religiosas, assim como páginas em redes sociais, como o twitter e o facebook, especializadas em conteúdos religiosos, pertencentes ou não a instituições religiosas.

Em janeiro de 2012, por exemplo, foi publicada uma pesquisa denominada “All Facebook” (http://allfacebook.com/), que tem como base o engajamento, ou seja, a interação dos usuários com as páginas, e não apenas as pessoas que “curtem” o conteúdo. na pesquisa, dentre os três primeiros colocados não estavam times de futebol, nem algum popstar do momento, mas sim: “Jesus Daily”, “Dios Es Bueno” e “The Bible”, ou seja, páginas de conteúdo cristão.

Assim, entendendo a internet como um lugar e partindo do pressuposto de que  a evangelização vai muito além da divulgação de conteúdos, como fazê-la? afinal,  num mundo difuso e tão pleno de informações e possibilidades, transmitir informação não é sinônimo de comunicação. E  sem se estabelecer comunicação, não se evangeliza.

a igreja vem reconhecendo e refletindo sobre estas transformações sociais e  culturais provocadas pelas novas tecnologias e traz um olhar positivo a seu respeito, desde o  ontificado do Papa João Paulo II, através de documentos como “igreja e internet” e “Ética na internet” (2002), a Carta apostólica “rápido desenvolvimento”  (janeiro de 2005) e com as últimas mensagens de Bento Xvi em cada Dia Mundial  das Comunicações (DMC), que lembramos aqui, foi instituído desde o Concílio Vaticano II e é comemorado sempre no domingo da ascensão. Em 2009 o Papa  utilizou a expressão “continente digital” e a 43ª mensagem trouxe como tema: “novas tecnologias, novas relações. Promover  uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade”.

Em todas as reflexões ficam evidentes a importância do testemunho e da autenticidade de vida dos cristãos na sua vida  “off-line” e “on-line” como a grande diretriz  evangelizadora. temos que desenvolver algumas capacidades, como escutar,  diagnosticar, doar, etc. para melhor efetividade. Pe. Filiberto Gonzalez, Conselheiro Geral para as Comunicações da Congregação Salesiana, traz no prefácio do novo Sistema Salesiano de Comunicação Social (SSCS) esta preocupação: “a casa onde se ama e se é amado como em família, o pátio onde é possível alegrar-se e difundir a vida com os amigos, a escola onde se educa a mente a fim de ser produtivos e construtores de uma sociedade justa, a paróquia  onde se celebra Deus como fim último da  vida, são a melhor expressão de um ecossistema onde as pessoas comunicam mais  por aquilo que são, do que por aquilo que dizem. Com isso se insiste ainda sobre a  importância da sinergia dos setores em favor da missão salesiana”.

Já para evangelizar de forma institucional e fazer parte do planeta internet, quase todas as corporações do mundo ainda estão engatinhando e com a igreja não é diferente. Mas no Brasil, para se ter uma ideia, a organização dos “Jovens Conectados” – site ligado à Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CnBB (Conferência nacional dos Bispos do Brasil), presente em todas as redes sociais, tem mais de 47 mil ‘curtidores’ e alto nível de engajamento na Fan Page do Facebook, além da presença em outras redes sociais – aponta caminhos certos.

Então, mais do que aprender a usar as redes sociais, as novas possibilidades  de comunicação, a igreja Católica, através de seus membros ou instituções, precisa ir aprendendo melhor a ser e estar neste lugar chamado internet. Como colocou o Pe. antonio Spadaro, estudioso de “cyberteologia”, quando  se fala em evangelização na rede: “o verdadeiro desafio da igreja é viver a rede  como um espaço de experiência. o nosso objetivo não deve ser aquele de ‘usar bem a rede’, mas sim ‘viver bem os tempos de rede’”.

E, a partir da inculturação, não seremos meros transmissores de uma mensagem, mas verdadeiros comunicadores e evangelizadores.

Jakeline Lira

Publicado na edição Jan/fev 2013 da Revista Tapiri – Inspetoria Salesiana São Domingos Sávio – Manaus

Para acessar Revista:

http://isma.org.br/wp-content/uploads/2013/02/167_tapiri_web_2013.pdf

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