Jovem: presente e futuro

Bem, estou  de “castigo” com uma doença que icomoooda demais, nem no computador posso ficar muito tempo: conjutivite.. pois é….. aff… então já que me prometi de postar algo no blog ontem e não o fiz, resolvi colocar aqui um texto que escrevi em 2005,  mas acho que são observações  sempre válidas, né? Abraços, Jak

Jovem: presente e futuro

Antes de ser alguma coisa, o jovem é alguém

Nas minhas andanças, escutas e até leituras, dois pensamentos se colocam todo tempo no discurso e no (quase) inconsciente de pessoas das mais diversas idades: é do jovem “ser”  e do jovem “vir a ser” . Ambas são pertinentes, mas esta última (‘ vir a ser”) já se tornou quase um discurso pronto que precisa, de certa forma, ser “reconstruído” e repensado.

Já paramos para pensar que em frases como “olha o seu futuro”, “jovem: futuro do Brasil”, “futuro do amanhã”, podemos estar jogando toda uma carga de responsabilidade em cima do jovens, como que apenas eles têm a solução do país na mão? Isto numa sociedade considerada adultocêntrica, que muitas vezes julga jovens como irresponsáveis… bem complexo, não?

Diante disso, será que o futuro do próprio jovem acaba encobrindo – dos adultos e até dos próprios jovens –  que ele já é alguém? O aprendizado, o lazer, as amizades, os trabalhos, podem ser importantes para o futuro, mas também são importantes para viver o hoje, porque é hoje que ele/ela é jovem. Neste contexto, entendo a urgência das políticas públicas de juventude no nosso país, elas são necessárias para estes jovens de hoje, porque é hoje que eles/as são jovens e estão lutando não apenas para a geração futura, eles/as querem sentir o resultado não só nos seus netos. No entanto, claro que entende a necessidade de se tornarem políticas de Estado, porque continuarão a ser políticas para os jovens de amanhã, independente de que governo entre ou saia. Não estamos aqui diminuindo a importância da dimensão do futuro, de projeto de vida (que infelizmente falta a muitos jovens de nosso país), mas compreendendo que esta não pode servir de desculpa para ser negado o presente.

Claro que a falta de perspectiva e a presentificação exagerada da vida, do viver o hoje, o aqui e o agora são coisas perigosas. É  muito importante o/a jovem se projetar, calcular tempo, sentir o chão, ter projetos pessoais e coletivos; pensar em si e no próximo, valorizar a própria vida e a do próximo, desenvolver percepção comunitária, desconstruindo o individualismo vigente.

No entanto, podemos parar para pensar quando repetimos discursos ou escutamos “olha o seu/ meu futuro”, em que sentido isto está sendo posto? Será que “pra ser alguém” fulaninho (um individuo jovem) precisa fazer isso ou aquilo… Por quê? Por que fulaninho num já é considerado alguém? Por que ele não é reconhecido como um sujeito? (e mais: por que pra “ser alguém” é necessário seguir certos parâmetros?). Como educadores, devemos compreender que o/a jovem não é só uma caixa vazia que precisa ser preenchida (ou até “entupida”). Dom Bosco, no seu encontro com Bartolomeu Garelli, começou sua ação educativa a partir do que ele era e do que ele sabia (“sabe assobiar?”), num diálogo amigo.

O/A jovem não é só um “vir a ser” alguma coisa, ele/a já é alguém e precisa ser reconhecido e reconhecer-se como tal em todos momentos. Pois, não se é jovem só em momentos de irresponsabilidade ou consumo, o jovem é jovem o tempo todo. Ele/a é jovem na escola, no trabalho, com os amigos, nas ruas, com os pais, até com os filhos, se já os tiver. O jovem é um/a cidadão/ã, é um sujeito de direitos com as especifidades do ser jovem, que precisam ser compreendidas pela sociedade e muitas vezes garantidas por lei.

Assim, não dá para pensar e falar só no futuro e esquecer de ter o presente e a realidade, mas também viver só e puramente o presente, esquecendo do futuro, torna a vida vazia e sem sentido… é buscar o equilíbrio, pois muito mais do que opostos, Presente e futuro são complementares. Pensemos nisso nas nossas ações educativas…

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Um comentário

  1. Oi tudo bem? acho que estou virando leitor de carteirinha teu, heheh…
    Gostei do ser a vir-a-ser, lembro-me da dialética hegeliana, quando trata do suprassumir. Eu sou “agora” e nego esse agora para me afirmar como outra coisa. Assim, você nega para se afirmar. Ou seja, no suprasumir, você muda mas não deixa de ser quem você é, enquanto essência. Eu era criança passei a ser jovem e adulto e no entanto a minha essencia não saiu de mim. Continuo a ser indigena, a ser “filho” de um determinado espaço geográfico e histórico.
    Quando tu falas “O/A jovem não é só um “vir a ser” alguma coisa, ele/a já é alguém”, penso que se encaixa com essa idéia, em parte, com a idéia de Hegel, para ele, o suprassumir (das Aufheben) traduz, ao mesmo tempo, um ato de negar, conservar e elevar… Assim, na sua questão, o jovem Já-é, mesmo pasando por esse processo dialético. Embora, nossa sociedade pareça negar essa capacidade que temos de mudar, de crescer, de ir em busca de novas perspectivas e novos sonhos; mudando, porém, sem deixar de sermos quem somos, humanos racionais, porém, carregados de desejos.
    Muito legal, como escreve!
    Fui Xero!!!

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