Novas perspectivas de vida para os jovens no Brasil

Há no nosso país cerca de 34 milhões de brasileiros entre 15 e 24 anos. Se somados aos que têm entre 25 e 29, chegamos à média de 50 milhões de jovens. De acordo com o Mapa da Violência 2006, o Brasil aparece como o terceiro país em número de mortes de jovens por homicídios, com taxas de 55,5 para cada 100 mil jovens, só superado pela Colômbia e Venezuela. Já o Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ) 2007 indica que quase sete milhões de pessoas entre 15 e 24 anos não estudam nem trabalham e que dois terços dos jovens analfabetos estão na região Nordeste, em especial nos estados da Bahia, do Maranhão e de Pernambuco.
Os dados sobre o trabalho também são alarmantes. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em pesquisa publicada em 2006, apontou que, entre os 3,2 milhões de desempregados acima de 16 anos nas regiões metropolitanas analisadas, 1,5 milhão estavam na faixa etária entre 16 e 24 anos. Ou seja: os jovens são 45,5% do total de desempregados.
Estatísticas como essas demonstram que boa parte dos jovens brasileiros está sem perspectivas. Indicam também a urgência de políticas públicas direcionadas, reconhecendo as especificidades e a diversidade dos jovens. Conforme Rui Antônio de Souza, assessor na equipe do Instituto de Pastoral da Juventude (IPJ) do Rio Grande do Sul, “se o jovem não tem a expectativa de conseguir um trabalho que lhe dê dignidade e vê amigos morrendo, isso vai tirando cada vez mais a vontade de investir no futuro, num projeto de paz e cooperação”.
Outra constatação é a de que não existe uma única juventude. As diferenças sócio-econômicas, culturais, religiosas e territoriais na vivência da condição juvenil fazem com que exista o que chamamos de “juventudes”.

CONFERÊNCIA NACIONAL DE JUVENTUDE – Nos últimos anos, a juventude vem ganhando visibilidade na agenda pública. Em 2003, foi realizada a pesquisa “perfil da juventude brasileira”, pelo Projeto Juventude/Instituto Cidadania, desenvolvendo um rico diagnóstico juvenil e várias propostas. Já em 2004, foi criada na Câmara dos Deputados uma Comissão Especial de Juventude, para elaboração do Estatuto e Plano Nacional da Juventude. Este último, já discutido na sociedade e aprovado na comissão, aguarda votação no plenário da Câmara (Projeto de Lei 4530/04).
Em 2005, o governo federal instituiu a Secretaria Nacional de Juventude e o Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), o que vem impulsionando a criação de novas instâncias em âmbitos municipal e estadual pelo país. Em fevereiro, uma nova composição do Conjuve tomou posse e, pela primeira vez, os 40 conselheiros representantes da sociedade civil (2/3 do conselho) foram eleitos de forma direta. Agora, este novo conselho terá a tarefa de influenciar o Governo Federal na tomada de decisões e elaboração de políticas condizentes com as demandas dos milhões de jovens brasileiros.
De setembro de 2007 a março deste ano ocorreram diversas conferências municipais, estaduais e livres, num processo que culminou com a primeira Conferência Nacional de Juventude, entre os dias 27 e 30 de abril. O evento teve como
objetivo viabilizar o diálogo entre a sociedade civil e os poderes públicos, discutindo os desafios do segmento juvenil e quais alternativas devem ser tomadas pelos governos para respondê-los.

DOCUMENTO DA CNBB REFLETE SOBRE JUVENTUDE – Também a Igreja Católica no país voltou a olhar a juventude com mais atenção. Recentemente, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou o documento 85, denominado: Evangelização da Juventude: Desafios e perspectivas pastorais. O documento aponta para a necessidade de se conhecer verdadeiramente as juventudes e suas realidades e aparece como importante instrumento dinamizador da ação evangelizadora da Igreja. O texto também afirma: “É necessária uma firme atuação de todos os segmentos da igreja no sentido de garantir o direito dos jovens à vida digna e ao pleno desenvolvimento de suas potencialidades” (p. 113).
Além do empobrecimento social, um dos grandes desafios, tanto para efetivação de políticas públicas quanto para a evangelização, remete à forma de conceber o jovem, reconhecendo-o como sujeito de direitos e livrando-se da percepção do jovem como problema ou como mero público-alvo. Avançar na compreensão do mundo juvenil e enxergá-lo como sujeito de pleno direito é saber que a juventude precisa de marcos legais, de instrumentos jurídicos e políticos, sendo participante e co-autora de todos os processos que garantam o fomento e o respeito desses direitos.

texto meu publicado no Boletim Salesiano mai/jun 2008

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